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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Quadragésima Primeira Carta: Bombear...

"Há quanto tempo não venho aqui? O chão pautado ainda tem cheiro de tinta e as más lembranças ainda estão escritas nas paredes. O teto está vazio. Pensei que quando o tempo passasse e a tinta houvesse se misturado com os vocábulos, as recordações dariam lugar à realidade, e eu poderia estar dizendo que estou voltando para você. Mudar, pra mim, nunca foi tão doloroso quanto agora. Deixar de lado tudo o que eu sinto para com o tempo aprender a não sentir mais tanta dor. Queria dizer que não importa, que estaria voltando para você, para casa, para o nosso lar. Mas aqui estou eu, só vendo a tinta na parede e os respingos no chão pautado. Quando isso virou meu lar, meu refúgio? A inteligência que eu queria não é essa. Saber de tudo isso é como saber da existência de um problema e de sua incapacidade de resolvê-lo. Não era essa inteligência que eu queria. Eu havia saído por muito tempo, sem ao menos dizer adeus, nem pude levar seu coração comigo. E nunca orei tanto na vida para que estivesse aqui comigo, pois tudo que aconteceu só me enfraqueceu e me degradou, e não importa quanto os outros se preocupem comigo, eu só queria que você olhasse para mim... e sorrisse. Isso me daria a certeza de que eu não piorei. Quero que me aqueça, que faça por mim o fim da tempestade, pois tudo o que aconteceu só me entristeceu e me matou. Minhas verdades foram substituídas quase que por completo por uma linha de sentimentos controlados para disfarçar a dor. Eu que só queria seu abraço. Eu não posso fazer isso. O meu castigo está só começando. E eu me certifiquei tanto da sua ausência que agora só quero desistir e deixar de existir. O coração agora só bombeia tinta e alma só respira dor."

Cartas Diretas,
obrigado.
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