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terça-feira, 21 de junho de 2011

Trigésima Quinta Carta: Carta de rua I

"Disse que Deus me criou, que criou você, disse que criou o nosso amor, que nos uniu. E o que me faz chorar agora? Não acho que Deus exista nem que haja amor dele em mim. Mas me sinto triste em qualquer momento, mesmo quando está tudo bem, tudo certo. E é por isso que eu penso que não existe felicidade pra quem sabe de algo que ninguém entende. Acho que quem não ignora não é feliz. O que eu digo em ignorar é não saber, é desconhecer. Eu sei, logo, não sou feliz. Essa é a minha teoria: um ser quando é capaz de saber que pode ser feliz e não possui essa felicidade, se torna infeliz. Você disse que eu só preciso perceber o que Ele me faz, o que Ele muda na minha vida. Mas existe uma pergunta sobre tudo isso: e você? Percebeu isso? Acho que não, afinal, todos choram. Principalmente eu. Choro toda vez que olho pra trás e penso no que eu poderia fazer. Choro toda vez que olho pra trás e penso no quão burro, ignorante, babaca, impotente, incapaz, cego e hipócrita eu fui. Choro toda vez que olho pra frente e não vejo você ali pra segurar minha mão e me guiar. Choro toda vez que olho pros lados e me vejo sozinho. Choro toda vez que percebo que não tenho no que acreditar. É... a sorte não nasce pra todos. E é justamente nessas horas que ninguém sabe o que dizer. E agora ouço a melodia "E eu vim aqui só pra dizer que eu sou louco por você". Essa frase nunca sai da minha cabeça. E ninguém entende o porque. Só eu. Porque isso só entra na minha cabeça. Quando digo a alguém, todos me entendem como louco e acham que eu deveria desistir e procurar algo diferente, novo. Mas não há algo que satisfaça meu sentimento platônico, incorrespondido. Saber que existe felicidade e eu não a possuo me faz infeliz. Pois é... ninguém entende. Só eu. Mas sobre toda obscuridade reservada, eu sei o que me fez, o que me criou... Você pediu uma devida atenção, uma certa notoriedade. Pediu para ser importante para alguém e presente na vida desse alguém. Você quis alguém que lhe desse a mão e lhe puxasse escada abaixo dizendo "Vem, você precisa ver isso". Pediu um alguém que escrevesse melodias para cada novo sentimento descoberto, para cada dia maravilhoso, para cada momento especial. Quis alguém que lhe escrevesse cartas - como essa - e proclamasse juras de amor. Se preocupou - acima de tudo - em pedir um alguém que lhe amasse pelo o que és, não pelo o que poderia ser. Você quis alguém para deitar na grama e observar a lua, sem dizer nada. Não mediu esforços para querer alguém que dissesse seu nome num tom calmo, divino. Alguém que risse alto com você no cinema, que segurasse sua mão forte quando o mocinho morresse - sim, eu lembro desse momento, não sei você. Pediu alguém que lhe fizesse viver, apenas isso. Mas esqueceu de pedir que essa pessoa tivesse a iniciativa, a coragem, de se proclamar apaixonado, esqueceu de pedir que o coração desse alguém nunca se endurecesse. Esqueceu do importante: que esse alguém nunca sentisse mágoa por ter sido abandonado. Escrevi isso para a garota que me amou - ou ama, sei lá - e que me criou no seu mundo. Desculpe-me, mas eu não sei se te amo. Pode ser que daqui a segundos eu releia a carta antes de enviar e perceba o quanto fui tolo em dizer que não te amo e por deixar a mágoa me congelar. E foi isso o que aconteceu: eu ainda te amo e não sei maneira melhor de dizer isso. Isso vai permanecer pra sempre aqui, cravado na memória... que eu te amo e sempre amarei."

Cartas Diretas,
obrigado.
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